quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O MEL DO PITUAÇU CORRE EM NOSSAS VEIAS DE DESCENDENTES DE SENHORES DE ENGENHOS.




EDUARDO, 

 NÃO SEGUREI AS LÁGRIMAS.
 VI-ME DE NOVO MENINA ENFIANDO-ME PELO CANAVIAL DA FAZENDA DO MEU PAI. OUVI AS VOZES DOS CAMBITEIROS EM SUA LABUTA DIÁRIA E SENTI O CHEIRO DO MELAÇO EXALANDO DOS BUEIROS DA USINA SÃO FRANCISCO CRIANÇAS BANHAVAM-SE NAS ÁGUAS PERFUMADAS DO RIO ÁGUA AZUL. PELOS CAMINHOS AS BORBOLETAS FAZIAM SEUS BAILADOS. ERA TUDO TÃO BELO QUE EU OUVIA A VOZ DE DEUS NA MINHA CRIANÇA FELIZ. EU JAMAIS CONHECI UM VALE MAIS BELO, DEUS PARECE QUE DEMOROU O SEU OLHAR SOBRE AQUELE MUNDO E ME DEU A HONRA DE NELE NASCER. SOU CRIANÇA DE NOVO, NÃO TENHO DIABETES E VOU AO MERCADO TOMAR CALDO DE CANA COM CHIQUINHA E BILILIU, COMPANHEIRAS DA INFÂNCIA DISTANTE. QUEM SABE? O COMPADRE JOAQUIM GOMES -TOCADOR DE RABECA - NÃO ESTARÁ POR LÁ? TE AMO MEU DUDU, MÊS QUE VEM UMA TURMA AQUI ESTARÁ, NO SALÃO DE FESTAS, PARA UMA FORNADA COM PÃO NO LEITE DE COCO, O MEL QUE VOCÊ ME DEU COM BATATA DOCE OU FARINHA, E O MEL QUE DARC VAI TRAZER DE ACARI. E OUTRAS DELÍCIAS. VAMOS DEGUSTAR O MEL DO PITUAÇU!!! AGRADEÇO A DEUS! 
LUCIA HELENA

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 Querida amiga:

 Fico feliz que você tenha relembrado tempos felizes e que moram no âmago na nossa alma, às vezes tão escondidinhos e que vêm à tona sem que esperemos e que nos tomam de surpresa e de uma saudade que chega a ser quase insuportável. Ouvir expressões como "Rua Grande", ao referir-se ao centro da cidade, me faz sentir-se criança outra vez, pois somente para quem foi menino de engenho, como nós, é que sabe o real sentido desse termo, dito tão comumente naquele tempo, quando uma ida à pequenina cidade tinha ares de visita a um grande centro em relação ao mundo do engenho...Todavia hoje é um termo morto, assim como quase tudo que fez parte daquele passado tão rico e tão belo...Tendo sobrevivido somente em nossos corações. Para mim é um prazer distribuir o "Mel do pituaçú" com os amigos especiais, é como se assim ou estivesse repartindo um pouco do meu mundo querido com aqueles que, acredito, também gostariam de vivenciar um pouco das suas raízes também rurais e interioranas. É um simbolismo simples, porem que se reveste de um significado esplendoroso, que é manter viva a chama da amizade sincera e desinteressada dos valores vís da atualidade. Que possamos sorver o mel dessa amizade por muitas "botadas". 

 Abraço, Eduardo Carvalho.

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Um comentário:

  1. Muito querida Lucia Helena:Através de seu depoimento intenso e delicado ao mesmo tempo, onde a prosa é pura poesia, a memória fez-me ouvir a voz de minha mãe e de minha avó, o que eu ouvia em pequena-mas que continua gravado em minha alma.Como vibra o seu espírito ! A missiva curta ou recado longo a um certo Eduardo, é uma obra prima que deveria constar em antologias-tais quais eram outrora:trazendo la créme de la crème! Ou estar em livros escolares , para que os pequenos e mesmo os adolescentes, acostumados à linguagem codificada da internet, pudesse ler e sentir prazer com sua Palavra e voltassem a amar o beletrismo!Grande abraço saudoso:Clevane Pessoa de Araújo Lopes, de Belo Horizonte, Mg, até você, aí no RN!

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