quarta-feira, 2 de maio de 2012

PRIMEIRO DE MAIO - POR TEREZINKA PEREIRA.

TEREZINKA PEREIRA

PRIMEIRO DE MAIO
Teresinka Pereira

Primeiro de maio
é o dia do trabalhador
imigrante,
do ser humano
que carrega consigo
uma quota de miséria
porque o chamado de "Sonho Americano"
foi para si irrealizável
como uma promessa não cumprida.

Trabalhador sem trabalho:
o rumo de seus passos
e' o muro injusto
que leva a rubrica
daquele que atravessa
fronteiras proibidas
para nada mais que
uma troca de patrões.

terça-feira, 1 de maio de 2012

QUEM TRABALHA É QUEM TEM RAZÃO EU DIGO SEM TER MEDO DE ERRAR.- BERNARDO CELESTINO PIMENTEL.

DR. BERNARDO CELESTINO PIMENTEL. (*)


QUEM TRABALHA É QUEM TEM RAZÃO
EU DIGO SEM TER MEDO DE ERRAR.

Infelizmente o comunismo não resolveu o problema do trabalhador, muito menos o capitalismo...

O trabalhador continua explorado nos dois regimes: o comunismo termina nas mãos de um sociopata, egocêntrico, vaidoso e ladrão, como Fidel Castro, onde a ruindade é do mesmo tamanho do cinismo.
Quanto ao capitalismo, é o que a gente conhece, pessoas que trabalham mas não comem, e outras que comem mas não trabalham. Se esta sina tivesse sido determinada pelo Criador, os primeiros teriam nascido sem boca, e os segundos teriam nascidos sem braços.

Na sociedade atual, uns nascem para rezes e outros para verdugos. Uns jantam e outros são jantados. Graças a Deus estou no meio dos que jantam, mas poderia está sendo jantado...

O Problema que está acima dos regimes é a consciência do homem. Um crápula no comando do comunismo! É tão perverso para o povo, quanto o que está no comando de um regime capitalista, ambos desconhecem DEUS, e aí, vem toda a a maldade, egoísmo, e o famoso: MATEUS, PRIMEIRO OS MEUS.

Um sujeito como Lênin, que trucidou em vida a família do Czar, inclusive dando ordem para que a família se aprontasse numa madrugada para ser fotografada, pois este retrato seria entronado em palácio, como lembrança da última família de CZARES. Porém nessa noite, a máquina de fotografar foi uma metralhadora, que matou Alexandra e Nícolas, e todos os seus filhos menores. Uma atitude dessa é sinônimo de maucaratismo, de sacanagem, por mais que os Czares tenham feito mal ao povo. MAUS PRINCÍPIOS, DESASTROSO FINS!

São malévolos tanto os ditadores de direita, como os sociopatas, ditadores de esquerda. O problema é fundamentalmente de caráter, de valores cristãos. Nada frutifica, num país cujo fundamento é a injustiça.

Um homem que condecora e idolatra Fidel Castro, é tão safado quanto ele, da mesma forma, é quem paparica o louco Iraniano, e o sociopata Chávez, da Venezuela.

Os Generais foram os ladrões mais sérios do mundo, portanto, o prejuízo do trabalhador, não é o fato de sermos de direita ou de esquerda, é sermos governados pelo desgoverno, é o que não tem governo, nem nunca terá, é o que não tem juízo...

A ausência do bom governante é a causa do trabalhador não ter opção para se alimentar condignamente, come uma ração, mas faz o trabalhador construir boas escolas, e ter que matricular seus filhos em pocilgas, construir hospitais de primeiro mundo, e ter que morrer abandonados nos corredores dos hospitais públicos.

A moral vem de Deus, a justiça vem de Deus, e os bons princípios são os que Cristo nos deixou.

LAMENTO, MAS NEM MEUS NETOS VÃO VER UM BRASIL DECENTE, QUE PODE DAR AOS SEUS FILHOS TUDO, POR QUE É INFINITAMENTE RICO E GIGANTE, MAS MORRO REAFIRMANDO: TRABALHADOR QUER VÊ A SUA FORÇA, CRUZE OS BRAÇOS...

ENQUANTO EXISTIR GENTE AMANHECENDO O DIA VOMITANDO QUEIJO DO REINO E WHISKY DOZE ANOS, E OUTROS ABRINDO LATAS DE LIXO PARA PROCURAR COMIDA, VAI TUDO MUITO MAL.
A ALMA CLAMA POR JUSTIÇA, A CRIAÇÃO DE DEUS ESTÁ INJURIADA, NÃO DÁ PRA SER FELIZ, EU VEJO QUE ELE BERRA,EU VEJO QUE ELE SANGRA.

COM AS MESMAS LETRAS QUE SE ESCREVE A PALAVRA PÁTRIA, SE ESCREVE A PALAVRA TRIPA.


(*) Médico e escritor
http://www.padrecelestinopimentel.blogspot.com.br/

"MULHERES EM BUSCA DE SEUS DIREITOS" - DRA. HILDA AGNES HÜBNER FLORES.

DRA. HILDA AGNES HÜBNER FLORES
MULHERES EM BUSCA DE SEUS DIREITOS
Hilda Agnes Hübner Flores (*)


Reconhecida como única geratriz da vida, na aurora da humanidade, a mulher era respeitada chefe de clã. Quando o homem, fisicamente mais forte, se impôs como caçador e defensor, a mulher passou a depender dele. E logo viu-se reduzida a uma dantesca e duradoura estreiteza existência, que se arrastou por milênios, como mostram os escritos de pensadores e delineadores do comportamento das gentes. São conceitos a estabelecer parâmetros entre o possível e o inatingível, o permitido e o excluído no agir cotidiano da mulher.

Vejamos alguns exemplos. O Código do Hamurabi dá ao marido o direito de rejeitar a “mulher de conduta desordenada e descumpridora das obrigações do lar”, podendo reduzi-la à escravidão, até mesmo para pagar dívida dele, na casa do credor. (Babilônia, séc. XVII a.C.).

Nove séculos mais tarde, leis imperativas do filósofo Zaratrusta, da Pérsia, mandam “adorar o homem como um deus”, ajoelhando-se a mulher toda a manhã aos pés do marido para perguntar: “Senhor, que desejais que eu faça?” (séc. VI a.C.).

Tentáculos dessa legislação alcançaram a Índia e somaram-se às “Leis de Manu” que sobrevivem até os dias atuais, quando regulam castas oficialmente extintas e impõem à mulher reverenciar o marido como a um deus, em hipótese alguma podendo governar a si própria.

Aristóteles, o grande pensador da culta Atenas, em sua escola peripatética pregou uma filosofia de total reprimenda à mulher, que não passa de “um homem inferior”, só criada quando “a natureza não pode fazer homens.” (séc. IV a.C.).

O Alcorão, codificado por Maomé, mantém a dominação sobre a mulher. A autoridade, concedida ao homem por Alá, dá-lhe direito ao dobro do que se dá à mulher, ente irracional que constitui a “maior calamidade” do homem. (séc. VI d.C.).

O cristianismo trouxe alguma valorização da mulher. Todavia, o apóstolo Paulo proibiu-lhe de falar dentro da igreja. Se não entendesse alguma coisa e quisesse se instruir, deveria pedir esclarecimentos ao marido, em casa. (ano 67 d.C.).

O monje Martinho Lutero fundou o protestantismo como forma de combater excessos do cristianismo, que abjurou. Para a mulher, recomenda uma vida austera, sem luxúria nem vaidade, sendo pecado maior a pretensão de ela querer ser sábia. Nasceu assim um poço imensurável no caminho da realização intelectual feminina. (séc. XVI).

Os séculos finais da Idade Média registram verdadeiro genocídio, principalmente de mulheres conhecedoras do segredo das ervas medicinais. Atribuindo-se-lhes artimanhas do diabo, acusadas de bruxaria, centenas de anônimas antecessoras de Joana D´Arc foram assim condenadas à fogueira.

Nem o Renascimento, período das “grandes conquistas”, trouxe algum avanço em direção aos direitos da mulher. O todo-poderoso Henrique VIII da Inglaterra repudiou cinco esposas, escapando Catarina Parr, porque o rei morreu antes dela, consumido por seqüelas de orgias sexuais. (séc. XVII).

As grandes navegações conduziram ao descobrimento do Brasil. Portugal lhe estruturou a economia a serviço da Metrópole e a religião a serviço de Deus; a sociedade configurou-se com acréscimo de duas culturas estranhas à Metrópole: a indígena e a africana, diferenciadas pela ausência da noção de pecado e sem o cultivo do mito da virgindade a que era submetida a mulher branca, a única “livre” na imensa Colônia.

Pregadores moralistas dimensionaram o relacionamento entre os casais e o espaço social destinado à mulher. Pe. Antonio Vieira, ímpar literato do barroco, quando na contramão da política portuguesa teve de trocar o real confessionário lisboeta pela catequese no exílio do Brasil, viu a mulher como uma criatura vulnerável, movida pela paixão e pelos sentimentos que a predispunham a ceder às tentações do Demo. Para que tal não acontecesse, para preservar o nome honrado do marido mantenedor, recomenda a proteção do lar, longe de olhos concupiscentes e ocupada em constante atividade física e mental, como dedilhar as contas do rosário e envolver os lábios na repetição exaustiva da reza. Esse empenho, desejado para preservação da virgindade, requer cultivo perene, porque

Os pecados contra a castidade são igualmente graves perante Deus, para homens e mulheres, mas nas mulheres, ainda que veniais, tiram a honra e nos homens não, ainda que mortais (Cartas de Vieira, v. 9, p. 12-200).

Está aí o cerne de engenhosa maquinação judicial que até meado do século XX absolveu muito uxoricida sob pretexto da “legítima defesa da honra”, sedimentado que estava o autoritarismo masculino, hegemônico no Brasil Colônia e Império.

Ausentes a imprensa e a cultura, consolidada estava a condição de total dependência feminina. Vir a público, editar livro, nem pensar. A primeira brasileira a fazê-lo foi a paulista Teresa Orta, que em criança acompanhou para Lisboa os pais enriquecidos no Brasil. Estudou e, na contramão da determinação paterna, casou com o professor, acabando deserdada. Viúva, 12 filhos e uma batalha judicial com o único irmão, em 1752 ousou editar um romance de nome quilométrico e fundo contestador/reivindicador, audácia que gerou retaliações para além de sua vida terrena, fazendo com que a 3ª edição, em 1570, tivesse autoria atribuída a Alexandre de Gusmão, intelectual falecido em Lisboa, 37 anos antes. Deve-se à Professora Conceição Flores o oportuno resgate dessa obra pioneira de nossas letras, em sua tese de Doutorado: As aventuras de Teresa Margarida da Silva e Orta em terras do Brasil e Portugal.

Em 1820 o viajante Saint-Hilaire foi surpreendido na cidade portuária de Rio Grande, RS, pela presença da sobrinha do vigário, Maria Clemência da Silveira Sampaio, moça de 20 primaveras que dominava o francês, e que dois anos mais tarde teve poema seu publicado no Rio de Janeiro, recebendo inclusão entre os “Poetas da Independência”. À aridez literária, sobrepõe-se notável visão econômica de futura sesmeira, que relaciona nossas riquezas naturais e pede ao Imperador pontes e barcas que as façam circular, para progresso da Província.

As duas guerras mundiais do século XX mostraram que hecatombes geram, na contramão, situações para a mulher se lançar a pioneirismos ausentes em tempos de paz.

Tal fato já ocorrera na guerra civil dos Farrapos, cenário, por dez anos (1835-45), de abrangente destruição e muita fome, o que induziu um punhado de mulheres a, literalmente, “pegar na pena” para denunciar essas atrocidades. A poeta cega Delfina Benigna da Cunha, em glosa critica o líder Bento Gonçalves: Maldições te sejam dadas / Bento infeliz, desvairado, / No Brasil e em toda a parte / Seja teu nome odiado. A jornalista Maria Josefa Barreto Pereira Pinto atirou “farpas aos farroupilhas” em seu jornal Belona irada contra os sectários de Momo. Já Nísia Floresta, nordestina residindo em Porto Alegre, documentou a fartura das chácaras circundantes, onde imperava “paz, abundância e a doce influência de um clima sadio” – riqueza que virou ruína e desolação descrita pela amiga Ana de Barandas ao lamentar o ocaso de seu sítio natal Belmonte, próspera propriedade rural na periferia de Porto Alegre.

São denúncias de escritoras com coragem para documentar em livros que viraram pioneiros de nossa literatura. E aqui cabe um detalhe: essas quatro escritoras publicaram sem a então obrigatória autorização do marido. Isto porque nenhuma delas o possuía: Delfina era solteira, o marido da jornalista sumira; Nísia Floresta enviuvara e Ana de Barandas estava divorciada oficiosamente, passando a “cabeça de casal”.

Nísia foi a única que teve aprovação do marido na 1ª edição de sua tradução reinterpretada da feminista inglesa Mary Wollstonecraft – Direitos das mulheres e injustiças dos homens – obra de capital importância para entender a escalada do feminismo, incômoda aos olhos do conservador autoritarismo masculino da Porto Alegre, naquele advento farroupilha. Nísia contesta a perene condição de dependência feminina, refuta a “tese” da superioridade masculina a partir de seu crânio maior, e reivindica dois direitos basilares da mulher: acesso ao estudo e direito ao trabalho remunerado. Estudo, a família de Nísia lhe proporcionou, e a precoce viuvez a fez “cabeça de casal” e mantenedora dos filhos, tarefa que exerceu com sua intelectualidade, ao abrir escola de primeiras letras.

A Escola Normal surgiu no Rio Grande do Sul em 1869. Nela Luciana de Abreu, enjeitada na Roda dos Expostos, aprimorou seus talentos e se fez professora habilidosa na condução de sua aula repleta de alunos. Uma delas, Andradina de Oliveira, deixou testemunho da metodologia usada: competição via estímulo e atribuição de novas tarefas aos mais capazes! E da tribuna da Sociedade Partenon Literário, que reuniu uma centena de intelectuais brasileiros, Luciana de Abreu, cinco décadas após Nísia Floresta, dá testemunho acerca da questionada (in)capacidade feminina. Afirma: “Meninos e meninas aprendem por igual; inteligência e aprendizado são uma questão de oportunidade, não de sexo.”

O francesismo cultural ponteou ao longo do Império, acolhendo a língua francesa no cotidiano da corte. O Positivismo comtiano imperou nos inícios da República, motivando o templo positivista do Rio de Janeiro e o do Rio Grande do Sul, Estado que Júlio de Castilhos pretendeu industrializar. Tarefa para homem. A mulher, guindada à “rainha do lar”, devia zelar pelo marido, educar os filhos para o espaço externo e as meninas para as prendas domésticas. Mas o índice de 74% de analfabetismo, incompatível com a meta de industrialização, conclamou a mulher para o magistério, de remuneração aquém das necessidades do mantenedor. Grandes educadoras surgiram: Ana Aurora do Amaral Lisboa, Stela e Aracy Gusmão (mãe e filha), Honorina Figueiroa, Marinha Noronha, Antonieta Lisboa, Natércia Cunha Velloso, todas sul-rio-grandenses. Quantos nomes ilustres a apor, em termos de território nacional?

Cabe aqui rever o papel da Princesa Isabel, apresentada como beata desligada da realidade. Quando casou, libertou escravos seus; mais tarde, aderiu à camélia branca, símbolo abolicionista, acobertando escravos na Quinta da Boa Vista e no palácio Imperial de Petrópolis; em 1888, assinou a Lei Áurea que lhe valeu condecoração papal da Rosa de Ouro. Pouco conhecido é o documento de 11.8.1889, projeto que a herdeira do trono apresentaria por ocasião da abertura do ano legislativo, a 20.11.1889: indenizar os ex-escravos com terras financiadas pelo Banco Mauá e, o que interessa neste trabalho, instituir o sufrágio feminino como forma de “libertar as mulheres dos grilhões do cativeiro doméstico”. Argumentava: “Se a mulher pode reinar, também pode votar!” Mas, cinco dias antes da fala no Legislativo, os militares deram golpe, proclamando a República! (Rev. Nossa História, p. 68-74).

Exilada a Princesa, o voto feminino amargou décadas até que a advogada e ativista Bertha Lutz abraçasse a causa. Feminista contundente, em 1919 criou a Liga de Emancipação Intelectual da Mulher, embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, de 1922, ambas cooptando feministas de vários Estados na luta pela conscientização da causa sufragista. Dez anos mais tarde, a 24.2.1932, Getúlio Vargas decretou o voto feminino, exercido por poucas eleitoras em 1933 e postergado pela ditadura do Estado Novo. Eleição pra valer, só em 1946 – ressalvada a pioneira exceção do Rio Grande do Norte, onde o governador Juvenal Lamartine decretou o voto feminino em 1927, ressaltando-se o nome de Alzira Teixeira Soriano, batalhadora pela causa e futura vereadora eleita.

Ao separar Igreja de Estado, a República abriu caminhos propício a reivindicações dos direitos da mulher. A cada dois ou três anos algum deputado apresentava no Congresso novo projeto divorcista como solução para casamentos insustentáveis. Até então, só a Igreja podia conceder divórcio, o que fazia com muita parcimônia e sem desfazer o vínculo conjugal.

Em 1912, há um século portanto, houve a inserção de uma mulher, Andradina de Andrade e Oliveira, a brilhante ex-aluna de Luciana de Abreu – lembra o leitor? Notável intelectual e jornalista porto-alegrense, no ensaio Divórcio?, seu 11º livro, advoga o divórcio “pleno”, aquele com direito a novo casamento. Nos 27 capítulos do livro, desnuda as mazelas da sociedade ainda órfã de leis trabalhistas, saúde precária, instrução incipiente e ausência de preparo profissional, e a mulher prisioneira de uma intrincada rede de ignorância, crendices e preconceitos que a amordaçavam dentro de um conformismo de religiosa subserviência e resignação. Divórcio?, reeditado em 2008 pela Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul, é leitura proveitosa para quem deseja submergir nos meandros sócio-moralistas da primeira República.

A audácia da autora comprometeu sua liberdade. Cerceada por tríplice e radical oposição (Igreja, Positivismo e Maçonaria) reforçada por férreos preconceitos da sociedade conservadora, só lhe restou o exílio. Em companhia da filha, a poeta Lola de Oliveira, encetou uma tournée cultural de cinco anos, peregrinando por Montevidéu, Buenos Aires, Paraguai e Mato Grosso, para então se fixar em S. Paulo, terra dos ancestrais Andradas. Aí faleceu sem o uso da razão, e sem ver sinuosas marchas e contramarchas como o concubinato, o desquite, a criticada alternativa de “casamento no Uruguai” e outras nuances legais, que impulsionaram o criticado divórcio, conquistado em 1978.

Estavam, pois, lançados os quatro pilares básicos do feminismo: direito ao estudo, ao trabalho remunerado, ao voto e ao divórcio, cabe um olhar retroativo sobre o papel da mulher na sociedade colonial: a branca, cerceada por severos preceitos religiosos; a indígena e afro, sem as amarras etno-moralistas e integrantes, como escravas, da construção econômica do país. Imperaram por séculos, plantando valioso legado: no cotidiano familiar, na culinária, na vestimenta, em suaves canções de ninar, na medicina popular, em preceitos religiosos traduzidos em populares crenças e crendices, base da axiologia brasileira...

A transmigração real, em 1808, deslocou para o Brasil o centro administrativo, decorrendo a abertura dos portos, medidas de saneamento e de urbanização, a criação de centros de ciência como a Faculdade de Medicina, vetada à mulher...

A presença de imigrantes (1818 no Rio e 1824 no Sul) trouxe a economia minifundiária, exitosa porque movida por mão de obra livre. A imigrante alemã, além das tarefas de casa, trabalhou na lavoura, no artesanato, no comércio, na navegação. Alfabetização e aprendizado profissional, a comunidade assumiu, criando associações religiosas, recreativas e profissionais. A imprensa passou a informar, também, em língua alemã.

Na década de 1870, imigrantes italianos labutaram nos cafezais paulistas e progrediram nos minifúndios do sul. Polacos foram centrados em minifúndios do Paraná. Inserida na perspectiva de crescimento econômico, a mulher trabalhava de sol a sol. Josefine Wiersch mais tarde documentou sobre o exaustivo trabalho na nova pátria, a garantir prosperidade.

Ao correr das décadas, as diferentes etnias fundem valores. De capital importância na busca dos direitos femininos, foi a gradativa escalada no estudo e no preparo profissional. Escolas de primeiras letras proliferaram pelas colônias de imigrantes. Escolas Normais, urbanas, prepararam mestres desde o Império, em escala insuficiente. A indústria em implantação abre espaço para operárias. As guerras mundiais, a par da destruição, induziram mulheres para inusitados afazeres, escancarando a necessidade de novos preparos profissionais.

Muitos nomes femininos se inseriram em campanhas e laboriosas buscas de aperfeiçoamento dos direitos da mulher. Delminda Silveira e seu ruidoso grupo de S. Catarina, faziam-se presentes em manifestações pro abolição; a feminista de Camaquã, no RS, Ana Cesar Rodrigues, acompanhou os deslocamentos do marido militar. No Norte, trabalhou em Rádios; em Recife fundou e dirigiu a Legião da Mulher Brasileira, com cursos profissionais para meninas.

A partir da década de 1940 multiplicam-se Faculdades buscadas pelo sexo feminino: Serviço Social, Letras, Pedagogia, História, Psicologia... Aos poucos a mulher se aventura em Faculdades de administração, técnicas e mesmo eletrônicas. No cotidiano, se desdobra: atende o lar, exerce a profissão e conjuga com atividade paralela. A ginecologista Noemy Valle Rocha aproveitou viagens profissionais para coleta de valioso folclore do peão dos Pampas, enquanto, na atualidade, Sylvia Helena Tocantins levanta no Pará o folclore do caboclo amazônico.

A pílula, na década de 1960, descortinou liberdade sexual e limitação da prole. Creches e jardins de infância permitem à mãe cursar Faculdade e se inserir no mercado de trabalho, condicionante de sua realização pessoal. Manifestações ostensivas como desfiles com dísticos direcionados e pouco sonoros panelaços de contestação, apelos de “sutien fora” e a imprensa reivindicativa, incitam para o feminismo engajado.

Na década de 70, os Mestrados aprofundaram conhecimentos e ampliaram preparo profissional, desamordaçando seculares anseios de frustrada realização intelectual. Doutorados brotaram dentro e fora do país. 1975-1985, a “Década da Mulher”, monitorou reivindicação de “igual salário por igual tarefa”, decorrendo mudanças radicais em seculares privilégios do homem face às novas conquistas da mulher.

No início de 70, Hellê Vellozo traz do México a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - iniciativa de valorização feminina, como vinha sendo, desde 1943, a Academia Literária Feminina RS, idealizada pela ativista Lydia Moschetti e seguida de outras Academias: em Natal (1958), Goiás, idealizada por Rosarita Fleury (1969), Jundiaí, S. Paulo (1971) e, na década de 80, em Belo Horizonte, Santos e Paraná.

Pós-Doutorados, hoje em profusão, alargam horizontes. Pesquisas nos diferentes ramos profissionais oportunizam descobertas e impulsionam para novos empreendimentos.

A política legislativa é buscada, ainda, com certa resistência, mas decorre em meio a laboriosos méritos. Concursos públicos acessam para novos cargos, exercidos com competência e mérito, independente de idade, sexo e cor.

Desde as décadas finais do século XX, literatas e pesquisadoras de gênero aprofundam temáticas. Zahidé Muzart em 1996 criou a Editora Mulheres, reabilitando a memória de centenas de vozes femininas que o tempo apagou. Constância Lima Duarte se doutorou sobre a obra de Nísia Floresta e reeditou a maioria dos livros dessa nordestina pioneira, precursora do feminismo.

Raquel de Queiroz, Nélida Piñon, Ligia Fagundes Telles e Ana Maria Machado deram o toque feminino na Academia Brasileira de Letras; Maria Dinorah, Lya Luft, Patrícia Bins e Jane Tutikian, patronas da Feira do Livro há 57 anos evento internacional em Porto Alegre. Tantos nomes, a projetar as letras: Cecília Meireles, Lúcia Miguel Pereira, Olga Savary... Me perdoem todas as não citadas aqui. Na medida do possível, imortalizo-as em meu Dicionário de Mulheres.


Fontes consultadas

Arquivo da Cúria Metropolitana de Porto Alegre, Livros de Batismo, Casamento e Óbito

BARMAN, Roderick. Princesa Isabel. S. Paulo: Unesp, 2001

FLORES, Hilda Agnes Hübner. Dicionário de Mulheres. Florianópolis: Ed. Mulheres, 2011 (2ª ed.).

_____. Sociedade: preconceitos e conquistas. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1989

_____. Alemães na Guerra dos Farrapos. Porto Alegre, EdiPucrs, 2008

MUZART, Zahidé L. Escritoras brasileiras do séc. XIX. Florianópolis, v. I 1999, v. II 2004, v. III 2009

Revista Nossa História, ano 3, nº 31, maio/2006, p. 68-74



(*) Hilda Hübner Flores, professora da PUCRS aposentada, é historiadora. Dentre seus 18 livros, publicou: Sociedade: preconceitos e conquistas (mulheres na Guerra dos Farrapos), Mulheres na Guerra do Paraguai/2010 (ensaio); Dicionário de Mulheres, 2ª ed. 2011 (3.000 verbetes de autoras brasileiras). Reeditou, com estudo biográfico: O Ramalhete de Ana de Barandas, Divórcio? de Andradina de Oliveira e Autobiografia de Lydia Moschetti. Tema imigratório: Canção dos imigrantes, Alemães na Guerra dos Farrapos, Aspectos da Revolução de 1893 e História da imigração alemã no Rio Grande do Sul - todos ensaios. Traduziu: Memórias de um imigrante boêmio, Memórias de Brummer, O Doutor Maragato, S. Clara na Revolução Federalista.

Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiânia e de S. Luiz Gonzaga, da AJEB/RS, por três vezes presidiu a Academia Literária Feminina RS e está na 5ª presidência do Círculo de Pesquisas Literárias RS.
E-mail: yflores@terra.com.br

segunda-feira, 30 de abril de 2012

MULHERES - PARABÉNS POR MAIS ESTE 30 DE ABRIL DEDICADO AO DIA NACIONAL DA MULHER!!!


A MULHER QUE PASSA
Vinicius de Moraes

Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que boia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

domingo, 29 de abril de 2012

3ª CONVOCATÓRIA (MARÇO - JUNHO 2012) “MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS”

GONÇALVES DIAS

3ª CONVOCATÓRIA (MARÇO - JUNHO 2012)
“MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS”
10 DE AGOSTO DE 2011 / 10 DE AGOSTO DE 2013

Lançamento da Antologia (09 a 11 de Agosto de 2012) nas cidades de São Luís-MA e Caxias-MA-Brasil
A idéia vem do Chile. Nasceu por ocasião da comemoração do aniversário de 107 anos do grande poeta Chileno Pablo Neruda, em julho do ano em curso, quando entre outras atividades foi lançada a antologia “MIL POEMAS PARA PABLO NERUDA” organizada por Alfred Asís. A realização desse projeto foi estendida para o poeta peruano Cesar Vallejo, que terá a sua antologia “MIL POEMAS PARA CESAR VALLEJO”. Nessa ocasião surgiu a ideia da organização de uma antologia e homenagem dessa natureza para um poeta brasileiro.
O Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão-IHGM aprovou em sua reunião de Assembleia Geral Ordinária, de Setembro de 2011, a inclusão do Projeto em homenagem a Gonçalves Dias, apresentada pela Confreira Dilercy Aragão Adler, dentro do Ciclo de Estudos/debates sobre a Formação do Maranhão e Fundação de São Luís.
A proposta é de, convidados poetas do mundo, prestar homenagens escrevendo para Gonçalves Dias; ainda, trabalhos de pesquisa histórica sobre sua vida e obra; participação aberta a escritores, poetas, pesquisdores, professores universitários, acadêmicos, e estudantes, universitários e do Ensino Fundamental e Médio.

OBJETIVOS

- Conhecer a vida e a obra de Gonçalves Dias e reconhecer a importância das motivações que caracterizam a sua obra, tais como o romantismo, o nacionalismo e dentro deste a valorização dos povos que iniciaram a história do nosso país.
- Apreender a importância do conhecimento e divulgação da vida e obra dos grandes nomes nacionais.
- Compreender a urgência de otimização do potencial criador da criança e adolescente e o papel de mediação da escola e da família e das Instituições culturais nessa perspectiva.
Os poemas/trabalhos podem ser enviados até 30 de junho de 2012

NORMAS


a) POEMAS

- cada Poeta poderá apresentar até cinco (cinco) poemas (cinco páginas),formato A4, times New Roman, tamanho 12, espaço 1,0.
- enviar adjunto currículo literário resumido (no máximo seis linhas), em que conste data de nascimento, cidade e país de origem; e-mail, com foto atualizada.
- a aceitação dar-se-á na ordem de recebimento da (s) obra(s), até se completarem os 1000 (mil) poemas. Um mesmo autor poderá mandar uma poesia, caso queira enviar outra obra posteriormente, dentro do limite de cinco (05) por Poeta, poderá fazê-lo, indicando que já enviou uma primeira obra; sendo colocadas todas juntas.
Envio de Poesias para: dilercy@hotmail.com

b) ESTUDOS E PESQUISAS:

- Cada autor ou co-autor poderá enviar até dois (02) textos, com o máximo de 20 (vinte) páginas, formato A4, Times new Roman, tamanho 12, espaço 1, incluindo bibliografia e fotos.
- ao enviar sua obra, deverá vir acompanhada pequena bio-bliografia, com foto atualizada, em que conste o motivo de participar da antologia; cidade e país de origem;
- a publicação se dará na ordem de recebimento da (s) obra(s).
Envio de Trabalhos para: vazleopoldo@hotmail.com
Divulguem em sua Instituição, Cidade, Estado e País.

ÚLTIMAS INFORMAÇÕES:

Já estamos com a publicação da Antologia “MIL POEMAS PARA GONÇALVES DIAS” garantida. A Editora da Universidade Federal do Maranhão–EDUFMA, vai editar a Antologia sem custos para os autores. A primeira data prevista para o lançamento é 10 de agosto de 2012 (aniversário de Gonçalves Dias - 189 anos - e ano da comemoração dos 400 anos de fundação de São Luís), vai depender de atingirmos a meta dos Mil Poemas. Precisamos completar os MIL POEMAS, por isso pedimos a sua colaboração para divulgar também, na sua cidade, no seu Estado, no seu país e para os seus contatos no estrangeiro!

O BLOG JOVEM GUARDA DE CEARÁ-MIRIM/RN - DIVULGA ENTREVISTA COM O CANTOR LENO AZEVEDO, ATRAVÉS DO SITE "MEMORIAL RAUL SEIXAS".

LENO AZEVEDO

O site MEMORIAL RAUL SEIXAS no início deste ano publicou entrevista com o cantor e compositor potiguar LENO, que foi grande destaque, ao lado da Lílian, na Jovem Guarda e ainda amigo de Raul Seixas. Confira:

Gileno Wanderley Azevedo, ou simplesmente Leno, foi um dos grandes nomes da Jovem Guarda, tanto na célebre dupla que formou com Lílian, quanto em sua bem-sucedida carreira solo. Conheceu Raul Seixas quando este ainda fazia parte dos Panteras e tornaram-se grandes amigos, praticamente irmãos. Raulzito considerava Leno como um de seus mestres.
MRS - Quando você conheceu Raul Seixas? Como foi esse primeiro contato?
Leno - Foi em um show da minha gravadora, a CBS, na Urca, no Rio, em 1968. Ele estava lá com "Os Panteras" para acompanhar o Jerry Adriani. Tinha acabado de chegar de Salvador e veio falar comigo pra dizer que meu compacto com A Pobreza estava em primeiro lugar lá. Achei uma atitude simpática. No dia seguinte já estávamos juntos tocando violão.

MRS - Como foi a gravação do álbum Vida e Obra de Johnny McCartney?
Leno - Caótica e "esfumaçada", gerada à cannabis, coisa nova pra nós. Estreei uma nova mesa de som no estúdio da CBS e foi possível extrair uma sonoridade que ninguém tinha no Brasil, até então.

MRS - Porque o álbum não pode ser lançado na época?
Leno - Metade das letras foram censuradas pela ditadura, e pra completar a CBS não achou comercial para um artista do seu cast que, como eu, vinha de dois grandes hits solo com canções românticas. Nada contra, eu também curto isso.

MRS - Vida e Obra de Johnny McCartney foi muito bem recebido pela crítica. É considerado inovador e contestador. A que você atribui esse sucesso?
Leno - Sinceramente, porque é bom mesmo. Pena que não saiu na época. Já estava lá quase tudo o que foi feito no rock nacional posteriormente. Inclusive nos discos de Raul. Fico orgulhoso que ele tenha deixado escrito que eu fui um dos seus mestres. Ele também foi pra mim, de várias formas.

MRS - Como era o processo de composição com Raul?
Leno - Geralmente um de nós tinha a ideia e pedia para o outro continuar. Como em Sentado no Arco-Íris, que fiz a música, comecei a letra e ele a definiu e terminou brilhantemente. Uma das censuradas em 1971, o rock mais pesado gravado no Brasil até então. Com A Bolha, a primeira letra que ele dizia ter tido orgulho de ter feito, conseguimos enrolar a censura e colocá-la no FIC do Maracananzinho via TV Globo. Foi a primeira participação de Raul naquele festival, e não Let Me Sing, como ainda pensam.

MRS - Há alguma estimativa de quantas músicas você chegou a compor com Raulzito?
Leno - Umas quinze, fora as que ele fez para mim gravar solo e na volta da dupla Leno e Lílian, em 1972.

MRS - Leno, o livro O Mago traz uma versão de como foi o primeiro encontro entre Raul Seixas e Paulo Coelho. Por que você contesta esta versão?
Leno - Porque é falsa e incompleta. Ele omite o fato de que eu estava no apartamento do Raul naquela noite no Jardim de Alá, aturando suas conversas sobre superioridade da magia sobre a ciência. Raul me chamou para ir lá por ter sido eu quem lhe emprestou dois dias antes um artigo sobre Ufologia, escrito por um tal Paulo Coelho. Sem isso ele não teria conhecido Raul. Curioso como era, Raul o procurou na redação, perto do estúdio da nossa gravadora no Rio e me convidou para nos encontrarmos, os três, naquela mesma noite. Só estávamos lá nós quatro: Edith (esposa de Raul), Paulo, Raul e eu. Não estava sua esposa como ele diz. E nessa noite Raul passou mais tempo ouvindo nossas diferenças de opinião do que participando delas. Ainda ficamos meia hora na calçada. Ele queria me convencer de qualquer maneira (risos). Impossível ele ter esquecido, a não ser que não lhe sirva de marketing ter seus "desígnios do Destino" mudado por um artista da Jovem Guarda, estilo que era patrulhado e discriminado pelos porra-loucas da época. Talvez a memória dos "guerreiros da luz" seja mais seletiva do que a dos meros mortais.

MRS - Há alguma música ou álbum de Raul, em especial, que você goste mais?
Leno - Dos álbuns Novo Aeon e o primeiro, Krig-ha, Bandolo! cujo repertório inteiro ele foi lá em casa me mostrar antes de gravar. Das músicas, até hoje canto Objeto Voador, só dele, feita a meu pedido e que ele regravaria anos depois com novo título (S.O.S.) e letra diferente em alguns trechos. O velho tema de vida extraterrestre. Mas no sentido científico e cada vez mais provável.

MRS - Você e Raul conviveram por quanto tempo? Apesar de serem muito amigos, por que houve um afastamento entre vocês?
Leno - Foi meu maior amigo companheiro e eu dele. Era um cara muito divertido e gostava de ajudar os outros como uma espécie de "terapeuta existencial" movido a bom humor, apesar de se dizer "egoísta". Na verdade éramos dois individualistas no sentido de que cada ser humano é único. Convivemos quase diariamente entre 1968 e 1972, quando eu estava com vários hits nas paradas após a separação da dupla Leno e Lílian. Fui o primeiro a gravar uma de suas composiçoes que lhe deu uma boa grana e ele era grato por isso, principalmente estando prestes a ser pai de sua primeira filha, Simone. Ele também tocava e cantava em minha banda nos meus shows no Rio. Estar em sua companhia era sempre alegre e estimulante, musical e intelectualmente. Já tinha tudo de bom do Raul Seixas posterior, mas sem o ranço autodestrutivo que suas futuras más companhias gostaram de estimular. Continuamos nos encontrando através dos anos mas sem a mesma frequência. Infelizmente ele não segurou a barra de um sucesso merecido. Estava muito diferente daquele Raulzito que aprendi a amar. E que deveria estar aqui conosco lúcido, saudável, cético e bem humorado. Como seus familiares e verdeiros amigos, e não os oportunistas de plantão, gostariam de vê-lo. Mas nos seus últimos anos morávamos em cidades diferentes. Sem contar o tempo que morei fora do Brasil.

MRS - E quais são seus novos projetos, Leno?
Leno - Estou lançando um DVD intitulado O Mundo Dá Muitas Voltas, nome de uma balada minha e de Raulzito, com uma retrospectiva de meu trabalho desde a Jovem Guarda até os dias de hoje, incluindo algumas letras inéditas que Raul havia me pedido para colocar música. Pedido cumprido, como em Quatro Paredes. E não é oportunismo, e sim a história da minha vida. Passei muito tempo calado ouvindo gente falando do que não sabe. Agora resolvi falar. Deve ser a idade... (risos).
Fonte: Site Memorial Raul Seixas

sábado, 28 de abril de 2012

VII EDIÇÃO DO PROJETO CESTA CULTURAL COM A SPVA/RN NO IFRN - CAMPUS CIDADE ALTA ACONTECEU NA SEXTA, 27 DE ABRIL: HISTÓRIAS, MÚSICA, EXPOSIÇÃO, ETC..

A MINHA MARATONA DE COMPROMISSOS ONTEM - 27-04 -, DE NOVE DA MANHÃ ATÉ ÀS 23 HORAS, CARREGOU-ME POR MUITOS MUNDOS, DESDE A ALEJURN, À UBE/RN, ATÉ A SPVA, ONDE ENCONTREI POESIA, AMOR, MÚSICA E O MUNDO QUE MONTEIRO LOBATO NÃO TEVE TEMPO DE CONHECER E AMAR COM AS DALUZINHAS, JANIA SOUZA, A VOVÓ AVLIS, NEIDINHA MOURA. SÍRLIA LIMA E TANTOS OUTROS ILUSTRES ESCRITORES APAIXONADOS PELA LITERATURA INFANTIL.
OZANY GOMES - APRESENTADORA DA NOITE
MC GARCIA - PRESIDENTE DA SPVA.
POETA ZÉ LUÍS SÁ
NEIDINHA MOURA RECEBE SEU DIPLOMA PELO "DIA DA LITERATURA INFANTIL", LADEADA POR OZANY E EDIVAM
NEIDINHA MOURA E DALUZINHA AVLIS:
AS CONTADORAS DE ESTÓRIAS E HISTÓRIAS
BELAS APRESENTAÇÕES DO PAÍS DA INFÂNCIA
ZÉ MARTINS - ETERNO POETA E CANTADOR
FILHA E MÃE: DALUZINHA E VOVÓ AVLIS
MAIS UMA PREMIADA COM O DIPLOMA AO DIA DA LITERATURA INFANTIL
PARABÉNS À ORGANIZAÇÃO DO EVENTO QUE REUNIU MÚSICA, EXPOSIÇÃO E VENDA DE LIVROS INFANTIS, EXPOSIÇÃO DE TELAS E VÁRIOS ENTRETENIMENTOS!
VIVAS À POESIA E O FASCÍNIOS DA LITERATURA INFANTIL
DALUZINHA -
CONTADORA DE HISTÓRIAS, MULHER MÚLTIPLA
ROBERTO NOIR RECEBE SEU DIPLOMA DAS MÃOS POÉTICAS DE SÍRLIA LIMA.
IVAM PINHEIRO EM SUA PERFORMANCE POÉTICA
EXPOSIÇÃO DE LIVROS INFANTIS
A QUERIDA JANIA, AUTORA TAMBÉM, DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL, RECEBE SEU DIPLOMA DAS AMIGAS OZANY E AGSLENE
NEIDINHA MOURA - POETISA COM DOIS LIVROS NO PRELO - QUE MONTEIRO LOBATO TAMBÉM NÃO CONHECEU, QUE PENA!
JOSÉ ACACI - CORDELISTA DOS BONS (NÃO BATI UMA FOTO DE ROSA RÉGIS MINHA QUERIDA, FICA O REGISTRO).
JANIA LEVA O SEU CARINHO À VOVÓ AVLIS
IVAN PINHEIRO E IARA - QUERIDO CASAL
ONDE NEIDINHA MOURA ESTÁ, ALÍ ESTÁ UMA CRIANÇA
VAMOS BRINCAR DE RODA???
OZANY GOMES, TIÃO BEZERRA E ZÉ MARTINS