quarta-feira, 11 de maio de 2011

CHEGANDO BOAS NOVAS DO GABINETE DO VEREADOR JÚLIO PROTÁSIO, SOBRE: COMBUSTÍVELMAISBARATOJÁ.


Amanhã, às 9: horas, será realizada no auditório da sede do Ministério Público do Consumidor, à rua Floriano Peixoto, uma coletiva de imprensa com o Promotor José Augusto Peres, para anunciar as novas ações do movimento: combustivelmaisbaratoja, que obteve sucesso num dos seus principais objetivos: a baixa dos preços da gasolina na cidade do Natal.
Estarão presentes todas as entidades que fazem parte do comitê gestor: combustivelmaisbaratoja: PROCON municipal e estadual, Câmara Municipal, OAB, DCE das faculdades de Natal, sociedade e rede social.

ESTRÉIA DA REVISTA PREÁ, APÓS UM ANO SEM CIRCULAÇÃO E EXPOSIÇÃO DE FOTOS E POEMAS POR GIOVANNA E GIOVANNI HACKRADT, EM 10-05.

ARTISTAS DA NOITE QUE HOMENAGEARAM ONZE POETAS FOTOGRAFADOS COM SEUS POEMAS. GIOVANNA E GIOVANNI HACKRADT DERAM UM BELO TEMA AO EVENTO: "EM CADA ESQUINA UM POETA"
GOVANNA HACKADT
O OLHAR DA GOVERNADORA À EXPOSIÇÃO
MÁRIO IVO, ISAURA ROSADO, GIOVANN, DRA. ROSALBA, GIOVANNI HACKRADT E ROBSON FARIAS.
ESSA MENINA (GIOVANNA) ME ENTREVISTOU QUANDO DAS PRIMEIRAS SEMANAS DE INAUGURAÇÃO DO MIDWAY MALL. ONTEM TIVE O PRAZER DE ABRAÇÁ-LA E AO SEU PAI GIOVANNI HACKRADT.
AS LINDAS IRMÃS HACKRADT
DIONE CALDA (DIRETORA DO TAM), SEU PAI DORIAN GRAY E A ESCRITORA E PESQUISADORA MUSICAL - LEIDE CÂMARA
SOCIÓLOGO DA FJA - HEITOR VARELLA -, LÚCIA HELENA E HERBENE VARELLA (PRIMOS)
SOCIÓLOGO DA FJA - HEITOR VARELLA
ESCRITORA ANNA MARIA CASCUDO BARRETO
ISAURA ROSADO - SECRETÁRIA ESPECIAL DA CULTURA - QUE LOGO TRATOU DE REARTICULAR A REVISTA PREÁ - COM O ESCRITOR E ATIVISTA CULTURAL - PAULO AUGUSTO.
DE CIMA PARA BAIXO: PÚBLIO JOSÉ, CAMILO DE FREITAS BARRETO, HEITOR VARELLA, IAPERY ARAÚJO E O PRESIDENTE DO IHG/RN - ENÉLIO LIMA PETROVICH
LÚCIA HELENA ENTRE OS QUERIDOS:
RITINHA E PÚBLIO JOSÉ
MULHERES MARAVILHAS!
MULATINHO, JANAÍNA E O ESCRITOR MÁRIO IVO
MARIA EMÍLIA WANDERLEY E LEDA GUIMARÃES - VIÚVAS DE HOMENS NOTÁVEIS: BERILO WANDERLEY E LUÍS CARLOS GUIMARÃES.
IAPERY ARAÚJO, MAÍLDE E CLÁUDIO AUGUSTO PINTO GALVÃO
FOTO POR CANINDÉ SOARES
PRESENÇAS LUMINOSAS!
GIOVANNA, HEITOR E ISAURA
ENÉLIO PETROVICH, A GOVERNADORA E LÚCIA HELENA
ENÉLIO PETROVICH E MIRIAM, ANNA E CAMILO BARRETO
DIONE CALDAS, DORIAN GRAY E LEIDE CÂMARA
TUDO GENTE BOA! COMO DIZ O MATUTO: "FALTOU CHÃO"
CAMILO BARRETO, LEIDE CÂMARA E PAULO DE TARSO CORREIA DE MELO.
AS PRIMAS: LÚCIA HELENA E HERBENE
ANTONIO GENTIL E UM BATE-PAPO COM A PODEROSA!

terça-feira, 10 de maio de 2011

DE VOLTA À CENA, LUIS CARLOS GUIMARÃES PELAS MÃOS DO GOVERNO DO RN, DA SEC. ESPECIAL DE CULTURA E FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO.

CONVITE PARA A EXPOSIÇÃO DO ACERVO DE LUÍS CARLOS GUIMARÃES - ACERVO PESSOAL DO POETA E ESCRITOR.
DATA DE ABERTURA DA EXPOSIÇÃO: 12-05-2011, ÀS 19 HORAS
VISITAÇÃO: DE 13 A 26-05, DE 8 ÀS 17 HORAS, NA GALERIA NEWTON NAVARRO DA FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO.

O POETA CHILENO, ALFRED ASIS, CONVIDA OS POETAS DE TODO O MUNDO, PARA PARTICIPAREM DO CONCURSO DE POEMAS A PABLO NERUDA. ENVIAR TRÊS POEMAS.

CONCURSO MIL POEMAS A PABLO NERUDA


Amigos de los MIL POEMAS, este es un concurso asociado a la obra.

Los primeros 100 autores que manden mas de tres poemas en: versos, prosas o narrativas a Neruda serán los que se imprimirán para la exposición gráfica en Isla Negra.
Si hay mas de 100 autores se privilegiará a los que hayan mandado mas trabajos.
Hasta el momento hay 27 autores con mas de una obra, uno con 17 obras inéditas a Neruda., le siguen otros autores con 7, 4, 3 y dos obras Y LOS MAS CON UNA OBRA. Se han editado mas de 300 trabajos para el libro, esta semana se viene el caudal de los Poetas del Litoral de los Poetas, Isla Negra, Escuela Pablo Neruda y Escuela El Totoral.
El libro es de ustedes, son quienes lo deben llenar y les aseguro que este llenará sus almas por siempre, será inolvidable.
Responder por esta misma vía electrónica.
El libro contendrá los MIL POEMAS A PABLO NERUDA

Abrazos

Alfred Asís

Modelo del gráfico para exposiciones: La bandera de cada país representado irá arriba de la de Chile


poeta@alfredasis.cl

POEMA DO ESCRITOR, CRONISTA LITERÁRIO, POETA E BLOGUEIRO - RUBENS JARDIM.


07/05/2011 10h15
POEMA DA MÃE
Escrito e dedicado para minha mãe, Nair e para todas as mães.

Rubens Jardim


Eu quero te dizer que Mãe não é
humano. Também não é animal.
Mãe não tem limite.
É uma específica aragem,
única, do sagrado.
Um modo de doar as estrelas
absolutas e mostrar que o céu
existe é pro filho mesmo.

E não importa o lugar do nascer.
Não importa o lugar de viver.

Tudo é sagrado. Tudo é celebrado.

Pode ser um celeiro. Uma casa.
Mas pode ser também um estábulo.
Ou essas maternidades, que podem ser,
Estrebarias. Ou hotéis de luxo.

E nós ainda pensamos que os bem nascidos
Dominam o mundo. Eles dominam mesmo.
Mas há uma diferença entre dominar
O mundo e dominar a vida.
A vida é indomável. A natureza, indomesticável.
E aqui cabe a indicação do poeta: quem lê os traços
Que os raios descrevem? Cabe, também, a verificação
Da inutilidade da ciência: ela evita um terremoto?
Ou uma erupção vulcânica?

É claro que não estou incitando ninguém
a jogar fora a ciência. Mas não podemos abrir mão
das outras dimensões do humano. Thiago, meu filho,
já me fez esse alerta, dizendo literalmente isto:
Será que o e-mail substitui a carta
e o teclado as penas tinteiras franciscanas?
Será que os coquetéis anti-Aids substituem
as ervas indígenas que curavam pela energia
e pela dedicação da mão amiga?

Não há dúvida que essas são apenas imagens.
Mas que imagens, minha mãe? Isso é poesia pura.
Da melhor qualidade. E só por isso elas revelam
O nosso ser, desvelam a nossa alma, assegurando
o conhecimento direto. Concreto. Aqui não existe
o símile. A comparação. Esse modo prosaico
de aprisionar o real e o viver, submetendo tudo
ao encadeamento lógico. Sempre uma coisa
depois da outra. Sempre uma coisa debaixo da outra.

E será que na vida real as coisas são assim?

Todos nós sabemos que o trágico, o cômico,
e o erótico não vêm a conta-gotas.
O amor mesmo não é que nem braçada de cana?

A metáfora só vem depois.
Como naquele filme O Carteiro e O Poeta.
Você deve lembrar daquele personagem,
perguntando, inquieto: o que é uma metáfora ?

Pois bem: eu sei o que aquele filme te respondeu.

Mas agora a resposta é do seu filho:
Metáfora é o abandono de toda comparação.
Metáfora é uma meta que está fora da palavra.
Metáfora é transcendência. É ultrapassar os
Limites da palavra. É não descrever um por do sol.
É colocar você diante dele. Ou dentro dele.

É claro Mãe que eu sinto muitas coisas assim.
Até porque, por uma questão de fidelidade,
minhas origens me empurram pra uma
outra dimensão. Aquela que --honrando-me sempre--
vige e vigora, agora e sempre na lembrança de meus avós.
Eu vivo -que nem eles-presentificado.
Exercitando o dia. Abençoando o sol
Ás vezes, maldizendo a noite. Mas é só isso.

Minha fragilidade e minha dignidade humanas
repousam em gestos conhecidos, em olhares
partilhados, em caminhos desconhecidos.
Minha própria ou imprópria poesia
é uma celebração desse aprendizado.

Mas o que eu quero te dizer é que Mãe
é uma percepção total do mundo.
Um descanso da loucura. Mãe é a saúde
absoluta. Mãe é a palavra mãe gestando
desenhos, antecedendo auroras,
relembrando traços, instalando instantes.

Mãe são os ritmos. Os rumos. Os rituais.
Mãe são as músicas. Os velocipedes.
As palavras definitivas e férteis da juventude,
Os ritmos sagrados. A pulsação das origens.
Mãe são os vendavais, os silêncios,
as esperanças animais. Mãe é a flor
escolhida. A quimera. O assentimento.

Mãe são as conversas. Os versos.
Os poetas idealizados. Os sábios.
Mãe é essa Grécia descoberta cedo,
esse Fídias, esse Platão, esse Sócrates.

Mãe é esse Shopenhauer distilando
pessimismo e dor em mim. Me fazendo
pensar, duvidar, sentir. Mãe é também
esse Nietzsche me levando ao abismo
do nascimento do além-do-homem. Mãe
é o Bandeira me mostrando Salvador,
a grande sala de jantar do Brasil.
Mãe é o Drummond me mostrando
que Mãe , na sua graça, é eternidade.
Mãe é o Jorge de Lima revelando a minha meninice.
Faz de conta que os sabugos são bois...
Faz de conta...e os sabugos de milho mugem
como bois de verdade...e os tacos que deveriam ser
soldadinhos de chumbo são cangaceiros de chapéus de couro...
É boquinha de noite no mundo que o menino impossível povoou sozinho!

Mãe é o Rilke me ensinando que todas as obras
de arte são de uma infinita solidão.

Mãe é o Walter. A vó Elisa. O vô Bento.
O meu irmão. A minha irmã é minha mãe.
O meu pai. O tio Dirceu. A tia Concha.
O tio Juvenal. A Dulcinha. A tia Dulce é minha
mãe. A tia Lourdes. A tia Preta. A tia Linda.
A tia Rosa. O tio Dimas. O tio Aparício.
O tio Nino é minha mãe. A tia Alice. O tio Nené.
A tia Emília. O tio Agenor. A tia Alzirinha.
A vó Maria é minha mãe.

E são também minhas mães os meus primeiros
e definitivos amores. Isabel que me deixou
sozinho debaixo do céu. Flávio Márcio que cobriu
esse céu com estrelas súbitas. Suely que perseguia
essas estrelas em todos os cantos da terra.
Bell que sempre me enxergou inteiro, com luz e sombra.
Eulália que viu esse fio de luz e me levou aos beirais
da dança, aos umbrais do corpo. Iracy que me doou
o mistério de seus olhos e de seu ventre.
Mônica, que ainda menina, mergulhou inteira
na minha alma e no meu corpo.

Mãe é a Ivone que me arrancou de tudo isso,
Plantando-se em meu coração. E ela cresceu demais.
Exatamente como aquele verso rilkeano: não me plantes
eu seu coração, eu cresceria depressa demais.

Mãe é a Ana recuperando em mim os sentidos, os tatos,
os contatos, os significados. O caos da juventude.
As estrelas iniciais. Exatamente como Nietzsche dizia:
é preciso ter um caos dentro de si para dar a luz uma estrela cintilante.

Mãe é a Ana sendo mãe de meu filho carnal,
embarrigando aos 40 anos e me proporcionando tudo
aquilo que o céu --real, irreal e inicial--pode entregar
a um vivente. E é com a Ana, essa mulher comparsa
e companheira, que eu espero largar mão dessa vida,
e buscar a vida verdadeira. Aquela que nos devolverá
para a nossa única e legítima mãe: a mãe terra.


PÉ DE SERRA NA CENTRAL, COM FORRÓ NAMANHA, DE 12 A 26 DE MAIO AS QUINTAS-FEIRAS.

FORRÓ NAMANHA
"Pé de Serra na Central"

Nesta quinta- feira dia 12 o legítimo forró pé-de-serra vai movimentar o Bairro da Ribeira.
A Central Ribeira Botequim localizado na Rua Chile, à cada quinta - feira do mês de maio, vai receber o melhor do Pé de Serra com shows do grupo Forró NaManha (12 e 26 ) e no dia 19 o cantor Pedro Lucas vai mostrar seu Lado Forrozeiro. "O pé-de-serra na central" que teve inicio dia 05 de maio, visa oferecer aos frequentadores da Ribeira, o melhor do forró tradicional e ser um diferencial nas quintas em relação a outras propostas musicais no bairro.
Forró NaManha alcançou relativo sucesso com a música Forró da Sexta. Com boa execução nas rádios cariocas, a banda potiguar tornou-se conhecida no circuito de forró universitário do eixo Rio – São Paulo, chegando, inclusive, a ser convidado a se apresentar nos Estados Unidos e Europa. O grupo já tocou ao lado de nomes importantes no cenário nacional como Falamansa e Alceu Valença. Ano passado abriu durante a SPBC o show de Tom Zé no anfiteatro da UFRN. No repertório o Forró NaManha apresenta composições autorais do CD " Tú + Eu e Eu + Tu" e clássicos de Luiz Gonzaga, Genival Larcerda, Elino Julião, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos entre outros, além de sucessos de Gilberto Gil, Raul Seixas, Alceu Valença transportados para o universo do pé de serra. No inicio do ano o grupo apresentou o projeto "Forró nas Feiras", levando apresentações gratuitos para as feiras livres da cidade do Natal.

"Pé de Serra na Central"
Show com Forró NaManha
Quinta 12, Quinta 26 de Maio
Central Ribeira Botequim - Rua Chile, 39, Ribeira
Abertura da casa ás 20h
Show ás 21h
Couvert: R$ 5,00
Informações: 91 75-9870
Reservas: 3201 - 3121

FOTOS: Jobson Galdino de Macedo Junior - Photografer

Marcelo Veni
Produtor do grupo Forró Namanha
Contato - 084- 9175-9870
contatohangar@yahoo.com.br
Rua João Pessoa – 193 – SL 703 – Centro – Natal -RN

POEMA DE ALBERTO CAEIRO (FERNANDO PESSOA) - QUEM ME DERA...QUE A MINHA VIDA FOSSE UM CARRO DE BOIS E A OBRA DE ALBERTO CAEIRO - GUARDADOR DE REBANHOS.

CARLOS MORAIS DOS SANTOS
www.culturaseafectoslusofonos.blogspot.com

A minha amiga de Natal-Brasil, a sublime "Poetisa das Flores e do Amor" - Lúcia Helena Pereira, minha confrade como Cônsul da Assoc. Internacional Poetas Del Mundo" e, como eu, também membro do IHG-RN-Instituto Histórico Geográfico do Rio Grande do Norte-Brasil, além de, também, ser nossa colaboradora como membro do Conselho Editorial/Redatorial deste nosso nosso Blog-Revista Cultural, enviou-me ontem um email em que relatava a sua emoção ao ter visto e ouvido, num programa cultural da televesão brasileira, uma mulher do campo do interior de Minas Gerais-Brasil,seu nome Leopoldina de cantar uma canção que tinha como letra, o poema de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), "Quem me dera " ...que a minha vida fosse um carro de bois " da obra "Guardador de Rebanhos ".

Como já era minha vontade voltar a publicar brevemente algo mais do meu Genial Mestre Fernando Pessoa ou de alguns dos seus inúmeros heterónimos, e inspirado pelo relato de minha amiga sobre a emoção de ter ouvido a mineira Leopoldina a cantar Pessoa, resolvi antecipar a minha intenção e fazer já hoje esta postagem dedicada àquele poema e à obra " Guardador de Rebanhos ".

Como para mim e para a maioria dos amantes da poesia lusófona, Fernando Pessoa é o maior e mais genial poeta da língua portuguesa depois de Camões, e pelo facto de a obra " O Guardador de Rebanhos " (escrito por Alberto Caeiro numa só noite de insónias, como afirmou Fernando Pessoa) ser, talvez, menos conhecida, aproveitei a inspiradora sugestão da minha amiga poetisa Lúcia Helena Pereira para, celebrar mais uma vez aqui, o Grande Poeta, agradecendo a boa sugestão que a minha amiga, em boa hora, me induziu.

QUEM ME DERA

Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha que ter esperanças - tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.Alberto Caeiro (in o Guardador de Rebanhos


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O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa)
O Guardador de Rebanhos é uma obra poética constituído por 49 poemas, escritos pelo heterônimo Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, em 04.03.1914, e Fernando Pessoa atribuiu sua gêneses a uma única noite de insônia de Caeiro. Foram publicados em 1925 nas 4ª e 5ª edições da revista Athena, com exceção do 8º poema do conjunto que só viria a ser publicado em 1931, na revista Presença.


A obra contêm poemas "em que a personagem surge sob iluminações imprevistas, revelando aspectos que contradizem o seu ideal de Si-Mesmo e lhe conferem verossimilhança ficcional". Os poemas mostram a forma simples e natural de sentir e dizer de seu autor, voltado para a natureza e as coisas puras.

O Guardador de Rebanhos nos transmite ou propõe uma forte cosmovisão ao querer reintroduzir aparentemente um mundo pagão no século vinte de um ocidente cristianizado, mas também é certo que não possui uma ordem ou hierarquia de valores como é apanágio do poema épico. Pelo contrário, a sua forma modular permite que o poema se alongue com repetições de motivos que passam de texto para texto não resolvidos ou por resolver, numa recombinação sucessiva onde emerge uma insuspeita temporalidade. Assim, a natureza aleatória das séries (outra designação para o poema serial) sugere que estas são anárquicas, não porque acabem num tumulto de sentidos incompreensíveis, mas porque se recusam a impor uma ordem externa nos assuntos que tratam ou desenvolvem.

Por outro lado, se o poema de Caeiro oferece um texto final de adeus, este final é completamente arbitrário, não decorre de nenhuma progressão temática ou narrativa que o exija ou a venha coroar, nem, por outro lado, de uma finalidade ou intencionalidade, como acontece necessariamente com o poema épico. Além disso, a concatenação dos textos que se seguem uns aos outros não é subordinada, antes denuncia o seu acaso de inspiração.

O Guardador de Rebanhos guarda pensamentos, que são sensações. O símbolo do rebanho é a representação do limite da existência humana, onde reside a liberdade. O que possui rastros do religioso torna-se demoníaco. O símbolo rompe a angústia da separação e busca na dimensão do divino, o divino que se rompera.

Na obra há um aperfeiçoamento gradual neste sentido: os poemas finais – e sobretudo os quatro ou cinco que precedem os dois últimos – são de uma perfeita unidade ideo-emotiva.

Alberto Caeiro é o poeta voltado para a simplicidade e as coisas puras. Vive em contato com a natureza, extraindo dela os valores ingênuos com os quais alimenta a alma. Embora contrária às filosofias tradicionais, essa faceta de Fernando Pessoa segue ainda os princípios acadêmicos em seus versos. É o lírico que restaura o mundo em ruínas, quando se relaciona com os seres sensitivos, ou o bucólico que foge para o campo, onde encontra maneira poética de sentir e de viver. Em Caeiro há uma "ciência espontânea", um "misticismo materialista" e uma "simplicidade complexa" - "atributos paradoxais que servem para intensificar e tornar crível a sua extraordinária singularidade". Os fragmentos IX e X de O Guardador de Rebanhos mostram, a forma simples e natural de sentir e dizer desse poeta:
http://www.passeiweb.com

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IX

Sou guardador de rebanhos
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheira-la
E Comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de goza-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade
Sei a verdade e sou feliz.
X

Olá, guardador de rebanhos,
Ai à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?

Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois,
E a ti o que te diz?

Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.

Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.

O Guardador de Rebanhos é uma obra poética constituída por 49 poemas, escritos pelo heterônimo Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, em 04.03.1914. Eis aqui, abaixo, o conjunto dos 49 poemas


1. I - Eu Nunca Guardei Rebanhos
2. II - O Meu Olhar
3. III - Ao Entardecer
4. IV - Esta Tarde a Trovoada Caiu
5. V - Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada
6. VI - Pensar em Deus
7. VII - Da Minha Aldeia
8. VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera
9. IX - Sou um Guardador de Rebanhos
10. X - Olá, Guardador de Rebanhos
11. XI - Aquela Senhora tem um Piano
12. XII - Os Pastores de Virgílio
13. XIII - Leve
14. XIV - Não me Importo com as Rimas
15. XV - As Quatro Canções
16. XVI - Quem me Dera
17. XVII - No meu Prato
18. XVIII - Quem me Dera que eu Fosse o Pó da Estrada
19. XIX - O Luar
20. XX - O Tejo é mais Belo
21. XXI - Se Eu Pudesse
22. XXII - Num Dia de Verão
23. XXIII - O meu Olhar
24. XXIV - O que Nós Vemos
25. XXV - As Bolas de Sabão
26. XXVI - Às Vezes
27. XXVII - Só a Natureza é Divina
28. XXVIII - Li Hoje
29. XXIX - Nem Sempre Sou Igual
30. XXX - Se Quiserem que Eu Tenha um Misticismo
31. XXXI - Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem
32. XXXII - Ontem à Tarde
33. XXXIII - Pobres das Flores
34. XXXIV - Acho tão Natural que não se Pense
35. XXXV - O Luar
36. XXXVI - Há Poetas que são Artistas
37. XXXVII - Como um Grande Borrão
38. XXXVIII - Bendito seja o Mesmo Sol
39. XXXIX - O Mistério das Cousas
40. XL - Passa uma Borboleta
41. XLI - No Entardecer
42. XLII - Passou a Diligência
43. XLIII - Antes o Vôo da Ave
44. XLIV - Acordo de Noite
45. XLV - Um Renque de Árvores
46. XLVI - Deste Modo ou Daquele Modo
47. XLVII - Num Dia Excessivamente Nítido
48. XLVIII - Da Mais Alta Janela da Minha Casa
49. XLIX - Meto-me para Dentro



Por cortesia e créditos devidos a: http://www.jornaldepoesia.jor.br/fp254.html
todos os títulos acima estão "linkados" aos respectivos poemas que compõem os 49 poemas da Obra "O Guardador de Rebanhos" de Alberto Caeiro, pelo que "clicando" nos títulos terá acesso direto ao respectivo poema

T

Carlos Morais dos Santos
Cônsul (Lisboa) da Assoc. Internac. Poetas Del Mundo

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Fiz questão de reproduzir a postagem do amigo e poeta português Carlos Morais dos Santos por sua sensibilidade à emoção que me ocorreu no último domingo, assistindo pela TV Cultura, o programa Sr. Brasil e a apresentação da cantorinha mineira - Leopoldina - que anunciou a música que iria interpretar, segundo ela, "Um Carro de Bois", que foi composta a partir do poema de Fernando Pessoa.
Valeu meu querido.

Beijo meu!